Suplementação probiótica em pacientes adultos criticamente enfermos: revisão sistemática

Iniciamos o “NUTRIMED Convida” com o artigo “Suplementação probiotica em pacientes adultos criticamente enfermos: revisão sistemática.”
Sua autora é a nutricionista Danielle Nogueira Melo, que atua na Clínica do Hospital Unimed Campos, é docente da Pós-graduação em Terapia Nutricional do adulto – CETNUT/UFRJ, além de Especialista em Nutrição em Terapia Intensiva – ASBRAN, Mestre em Nutrição Clínica – INJC/UFRJ, Pós-Graduada em Nutrição Clínica -CENC/UFRJ, Pós-Graduada em Fitoterapia aplicada à nutrição clínica – CEFITO/UFRJ, Pós-Graduada em Terapia Nutricional do adulto – CETNUT/UFRJ e Pós-Graduada em Cuidados Paliativos e Terapia da Dor – PUC MINAS.
O paciente crítico possui maior suscetibilidade a infecções nosocomiais, principalmente pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) e complicações como a sepse, além de diarreia associada à Clostridium difficile. Sugere-se que no contexto da terapia intensiva aconteça uma diminuição de microrganismos comensais e aumento excessivo de bactérias potencialmente patogênicas, iniciando o patobioma na doença crítica. Esta condição pode levar a uma resposta inflamatória desregulada, comprometimento de função de barreira da mucosa e aumento de permeabilidade intestinal, causando dificuldade de tolerância ao suporte nutricional e aumento de mortalidade. Diante da necessidade de prevenir o patobioma em pacientes criticamente enfermos, terapias alternativas como a probioticoterapia podem ser vistas como benéficas pelo racional fisiopatológico.
Buscando compreender o que a ciência tem de evidência, MELO; COELHO, (2023) realizaram uma revisão sistemática para identificar os efeitos da suplementação de probióticos em pacientes criticamente enfermos, analisando desfechos como menor ocorrência de PAV, mortalidade, tempo de internação, infecções, constipação intestinal e diarreia.
A revisão foi realizada a partir da elaboração de protocolo registrado na International Prospective Register of Sistematic Reviews (PROSPERO) sob o número CRD42022285477, disponível em https://www.crd. york.ac.uk/prospero/, com busca nas principais bases de dados.
Um total de 72 estudos foram selecionados e após exclusão de duplicatas e seguidos critérios de elegibilidade, 8 artigos compuseram esta revisão. Entre os estudos, 4 avaliaram como desfecho primário a ocorrência de PAV. Os desfechos como sobrevida em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mortalidade (em dias), incidência de outras infecções, diarreia associada à Clostridium difficile e a antibioticoterapia foram analisados, e apenas 1 pesquisa realizou análise de microbiota intestinal e ocorrência de constipação. Quanto à suplementação, as cepas probióticas utilizadas foram distintas, além de doses e vias de administrações diferentes. Nenhum artigo foi capaz de garantir os benefícios da suplementação nessa população.
Positivamente foi evidenciada uma tendência na redução de ocorrência de PAV e efeito em alterações de trato gastrointestinal, como melhora de constipação , mas os estudos possuem baixa força de evidencia para sustentar a recomendação de uso rotineiro na terapia intensiva.
Os resultados são semelhantes ao descrito nas diretrizes de terapia enteral e parenteral, como na Brasileira de Terapia Nutricional no paciente grave (DITEN), e as da Sociedade Europeia – European Society for Clinical Nutrition and Metabolism (ESPEN) e Americana- American Society for Parenteral and Enteral Nutrition (ASPEN).
Todas as recomendações encontradas demonstram que permanecem inconclusivos os efeitos da suplementação probiótica em pacientes criticamente enfermos; além da possibilidade de risco de sepse em pacientes imunodeprimidos.
Os achados dessa revisão e das sociedades de terapia nutricional citadas são os mesmos descritos nas diretrizes globais de 2023 da Organização Mundial de Gastroenterologia (World Gastroenterology Organisation Global Guidelines – WGO). O documento “Probiotics and prebiotics” descreve que não há evidências suficientes para apoiar o uso de probióticos ou simbióticos em pacientes adultos críticos em unidades de cuidados intensivos.
Concluindo que até o momento não existem achados suficientes que respaldem a definição de um protocolo de probioticoterapia em UTI, além da necessidade de mais estudos que avaliem a ocorrência e os riscos nessa população.
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Referências:
GARNER et al. World Gastroenterology Organisation Global Guidelines. 2023
MELO; COEHO. Efeitos da suplementação probiótica em pacientes adultos criticamente enfermos: Revisão sistemática. Braspen Journal. 2023; 38 (1): 80-94.