Avaliação da eficácia da desobstrução de sondas nasoentéricas de pequeno calibre com a utilização de 3 diferentes soluções.
A prevenção da obstrução de sondas, rotineiramente, é realizada com a irrigação com volume mínimo de 30 ml de água, a cada 4 horas, para infusões contínuas, ou antes e após a instalação da dieta, em infusões intermitentes. Quando acontece a obstrução da sonda, é necessário que seja realizado algum procedimento para desobstrução, antes da repassagem de sonda, visto que é um procedimento que aumenta custos e não é confortável para o paciente.
Fatores que podem contribuir para aumentar o risco de obstrução da SNE:
- composição da fórmula enteral,
- pequeno diâmetro da sonda,
- irrigação inadequada com água,
- medições de volume residual gástrico,
- administração incorreta de medicamentos.
Devido ao impacto no paciente, é de grande importância a resolução dessa problemática no menor tempo possível, a fim de garantir um adequado suporte nutricional, menos desconforto, além de gerar menos custos inerentes à uma eventual repassagem de sonda.
- Objetivo: Investigar a eficácia de três soluções na desobstrução de SNEs e analisar o custo-benefício dos métodos.
- Metodologia: Estudo experimental in vitro, de caráter descritivo e abordagem quantitativa, realizado em ambiente domiciliar, utilizando 9 sondas de diâmetro 12 French, previamente ocluídas com dieta enteral polimérica hipercalórica, fibras e proteínas. As sondas foram divididas em três grupos:
- Grupo 1: Água mineral.
- Grupo 2: Solução enzimática (Enzyfor® – contendo protease, lactase, lipase, bromelina e amilase).
- Grupo 3: Sal de frutas (Eno® – contendo bicarbonato de sódio,carbonato de sódio e ácido cítrico).
Resultados:
- Eficácia: A solução enzimática (Enzyfor®) foi a mais eficaz, desobstruindo 100% das amostras (3/3). O sal de frutas (Eno®) desobstruiu 66% das amostras (2/3), enquanto a água mineral apresentou a menor eficácia, desobstruindo apenas 33% (1/3).

Estudos demonstram que a água é a escolha inicial para tentativa de desobstrução, visto que é uma etapa de fácil realização e geralmente efetiva. O
presente estudo verificou que a água foi eficaz em desobstruir 1 sonda de 3.
Se a desobstrução com água não for efetiva, a utilização de solução enzimática pancreática, kit enzimático ou dispositivos mecânicos para limpar sondas é a segunda opção, conforme recomendação da Sociedade Americana de Nutrição Enteral e Parenteral.
A utilização de bebidas contendo ácidos para desobstrução de sondas não foi indicada por alguns estudos, visto que o ácido pode desnaturar as proteínas presentes na fórmula enteral, contribuindo para a obstrução.
- Custos: A água é a opção de menor custo, seguida pelo sal de frutas e pela solução enzimática; a necessidade de passar uma nova sonda
representa o maior ônus financeiro.

- Conclusão: A solução enzimática e o sal de frutas demonstraram maior eficácia que a água mineral na desobstrução de SNEs. Contudo, os autores reforçam que a prevenção — por meio da lavagem regular da sonda com água antes e após a administração de dietas e medicamentos — permanece como a estratégia fundamental no contexto clínico e domiciliar.