NP – Osmolaridade e vias de acesso

Jordana Ruffier Pagani
A nutrição parenteral (NP), em geral, é indicada para pacientes que não conseguem ingerir mais de 60% das necessidades nutricionais pela via oral ou enteral.²
A escolha da melhor via de acesso para infusão, periférica ou central, depende de vários fatores como a condição do paciente, o tipo e a duração da terapia nutricional, os cuidados com a infusão (estado agudo, NP prolongada, home care) e, a patologia de base.¹
A terapia nutricional parenteral (TNP) por via central está indicada para pacientes com estimativa de uso superior a 14 dias, com possibilidade de administração em veia central de grosso calibre (veia cava superior ou átrio direito), tenham que receber grande quantidade de nutrientes e com restrição de volume⁵. Devido à natureza hipertônica dessas formulações (osmolaridade > 900 mOsm/L), recomenda-se a administração via cateter venoso central.¹
A nutrição parenteral periférica (NPP), é indicada para o aporte nutricional, parcial ou total, por até 2 semanas (14 dias), com formulações com baixa osmolaridade (< 900 mOsm/ L) e/ ou para pacientes com incapacidade de acesso venoso central.⁵ Requer atenção em relação a osmolaridade final da formulação e, o monitoramento de possíveis sinais de flebite e/ ou infiltração.¹ Normalmente empregada na fase inicial da TNP, até que se estabeleça um acesso central ou em pacientes de curto tempo de terapia. É limitada pela tolerância à formulação, concentração de macronutrientes e ao volume de fluídos. A administração da NPP deve respeitar uma concentração máxima de substratos devido ao baixo fluxo desses vasos. Se a osmolaridade da NP for elevada, poderá causar flebite ou lesão. A maior complicação da NPP é o desenvolvimento de tromboflebite, relacionada ao conteúdo osmótico da formulação e sua razão de infusão.¹
Osmolaridade
A osmolaridade é a concentração molar das moléculas osmoticamente ativas em 1 litro de solução, tem como unidade de medida o mOsm/ L. Os nutrientes que mais contribuem para o cálculo da osmolaridade são os aminoácidos, a glicose e os eletrólitos. Os lipídios possuem caráter isotônico, com contribuição osmolar menor.
Osmolaridade do plasma: 280 – 290 mOsm/ L
Cálculo da Osmolaridade
O cálculo da osmolaridade teórica da NP pode ser realizado utilizando diferentes fórmulas, como as demonstradas abaixo:
1.Informações de osmolaridade de cada produto, encontradas nas bulas profissionais fornecidas pelos fabricantes, aplicar na fórmula abaixo.

2. Doses prescritas de macronutrientes (g) e eletrólitos (mEq):
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- Aas: quantidade de aminoácidos, expresso em gramas (g)
- ∑Cátions: somatório em mEq de cálcio, magnésio, sódio e potássio
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As diretrizes da Sociedade Brasileira de Nutrição Enteral e Parenteral (SBNPE/ BRASPEN) e da Sociedade Americana de Nutrição Parenteral e Enteral (ASPEN) recomendam a osmolaridade máxima de 900 mOsm/ L para uso de acesso venoso periférico.¹’⁵

Referências:
- Mirtallo, J., Canada T., Johnson D, et al; A.S.P.E.N. Board of directors and Task Force for Revision of Safe Practices for Parenteral Nutrition. JPEN J Parenter Enteral Nutr (28): Sup 6 nov-dec, 2004.
- Como prescrever a nutrição parenteral? Nutritotal. In: https://nutritotal.com.br/pro/quando-devo-iniciar-a-administracao-de-nutricao-parenteral-em-meu-paciente/
- Qual a Osmolaridade máxima aceita? IMeN Instituto de Metabolismo e Nutrição. In: https://nutricaoclinica.com.br/conteudo/profissionais/121-terapia-nutricional-parenteral-farmoterapica/1142-nutricao-parenteral-periferica-qual-a-osmolaridade-maxima-aceita
- Gastaldi, M; Siqueli, AG; Silva, ACR; Silveira, DS. Farmácia Hospitalar. Nutrição Parenteral: da Produção a Administração. Pharmacia Brasileira, setembro/ outubro, 2009. In: https://www.cff.org.br/sistemas/geral/revista/pdf/122/encarte_farmAcia_hospitalar_pb72.pdf
- Diretriz BRASPEN de Enfermagem em Terapia Nutricional Oral, Enteral e Parenteral. BRASPEN J 2021; 36 (Supl 3): 2-62.
- ASPEN Nutrition Support Practice Manual, 2nd Ed, 2005.