22 9971-55649

Back To Top

Nutrimed

Aminoácidos na Nutrição Parenteral Pediátrica: Aspectos Fundamentais e Recomendações.

Jordana Ruffier Pagani

 

As proteínas são os principais componentes estruturais e funcionais de todas as células do corpo. São macromoléculas de alto peso molecular, polímeros de compostos orgânicos simples, os α-aminoácidos. Consistem em cadeias contendo subunidades de aminoácidos unidas por ligações peptídicas, envolvendo o radical amino (-NH2) de um aminoácido e o radical ácido carboxílico (-COOH) de um outro, havendo a liberação de uma molécula de água durante a reação. A união entre dois aminoácidos, forma um dipeptídeo, assim como três formam um tripeptídeo e assim sucessivamente, a união de vários dará origem a uma cadeia polipeptídica.

 

Sob a perspectiva nutricional, um dos aspectos importantes de uma proteína é a sua composição de aminoácidos (Aa). Os Aas são classificados como (tabela 1): a) Aas essenciais (indispensáveis), não podem ser sintetizados pelo organismo e precisam ser obtidos através da dieta ou da nutrição parenteral; b) os Aas não essenciais podem ser sintetizados a partir de outros Aas ou de outros precursores, porém, alguns são categorizados como, c) Aas semiessenciais ou condicionalmente essenciais, pois podem ser sintetizados a partir de outro Aa,  mas a sua síntese é limitada sob certas circunstâncias.

  • Recomendações de Aa  na NP Pediátrica¹ 

A revista Clinical Nutrition, em 2018, publicou recomendações do consenso ESPGHAN/ ESPEN/ ESPR/ CSPEN, sobre aminoácidos na nutrição parenteral pediátrica, algumas listadas abaixo (tabela 2)¹.

 

  1. Recomendações de Aa na NP Pediátrica¹ 

2. Dose de Aminoácidos por faixa etária.

  • Necessidade de Aminoácidos e impacto no crescimento e no desenvolvimento do recém-nascido prematuro (RNPT).

A dificuldade de fornecer nutrientes ao RNPT através da via digestiva confere papel importantíssimo à NP, que se torna a fonte de nutrição precoce destes pacientes, até o momento em que a via digestiva permita a administração de pelo menos 70% das necessidades calórico-proteicas. 

Em RNPT a reposição adequada de Aas é fundamental devido às reservas nutricionais limitadas e às altas taxas de crescimento² e desenvolvimento cerebral, contribuindo para a síntese proteica e a regulação metabólica. 

O método mais utilizado para estimar a necessidade de Aas baseia-se na quantidade necessária para atingir o balanço nitrogenado positivo¹. Porém, pode ser um grande desafio determinar o balanço nitrogenado em RNPT, muito instáveis nos primeiros dias de vida.

 

Baseado em literatura recente, a oferta de Aas deve iniciar a partir do 1o dia de vida ou o mais rápido possível após o parto, a fim de prevenir o choque metabólico causado pela interrupção da nutrição contínua no útero¹.

 

Vários estudos demonstram um balanço nitrogenado positivo após a administração de Aas logo após o nascimento, calculado como a diferença entre  oferta nitrogenada e a perda de nitrogênio urinário estimada.¹ 

A administração precoce de aminoácidos, pela via parenteral, está associada a melhores desfechos de crescimento e desenvolvimento neurocognitivo³. Já a deficiência de aminoácidos, nos primeiros dias de vida, pode comprometer o crescimento neonatal, resultando em menor ganho ponderal, atraso na maturidade neurológica e prejuízos metabólicos a longo prazo²

 

Estudos demonstram que a NP deve ser ajustada de forma personalizada, considerando as condições clínicas do neonato e a disponibilidade de proteínas na circulação sanguínea¹.

 

De maneira geral, a administração precoce de Aas, quando comparado com a administração de glicose apenas, foi associada a melhora no crescimento a curto prazo.¹ 

 

A utilização das soluções de Aas depende de um oferta energética suficiente, sendo recomendado o mínimo de  30-40 kcal/ 1g Aa.¹

Nota: Não foram reportados nenhum efeito metabólico em detrimento ao início precoce de Aas ao nascimento.¹ 

Nota: Foram reportados efeitos no metabolismo de eletrólitos e minerais, em RN prematuros extremos recebendo altas doses de AAs.¹

  •  Composição das soluções de Aa pediátricos disponíveis no Brasil

As soluções de Aas cristalinos utilizada para RN é baseado no padrão do aminograma do leite materno (Aminoven Infant® 10%/ Fresenius) ou no aminograma do cordão umbilical (Primene® 10%/ Baxter). 

Essas soluções, para o paciente neonatal, devem incluir os Aa essenciais (em maior quantidade), devido a reduzida atividade de enzimas como cistationase, tirosina transferase, com reduzida produção de cisteína, tirosina e taurina e, os Aas condicionalmente essenciais para o RN, pois sua síntese pode ser insuficiente¹

 

 

Referências

  1. ESPGHAN/ ESPEN/ ESPR/ CSPEN. Guidelines on Pediatric Parenteral Nutrition: Amino Acids. Clinical Nutrition, v. 37, p. 2315-2323, 2018.
  2. ROBINSON, D. T. et al. Guidelines for Parenteral Nutrition in Preterm Infants. The American Society for Parenteral and Enteral Nutrition, v. 47, p. 830-858, 2023.
  3. SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA. Recomendações para Nutrição Parenteral em Recém-nascidos Prematuros. Rio de Janeiro: SBP, 2024.

Post a Comment